《Quem Ri Por Último Ri Melhor》CAPÍTULO TRÊS
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Estava viajando nesses pensamentos quando um objeto bateu na parte de trás da minha cabeça. Era uma bolinha de papel cheia de cola e durex. Olhei para trás na hora e vi alguns garotos rindo de mim. Peguei a bolinha do chão e disse:
-Nossa, que engraçado. Como é interessante ver alguém sendo atingido por uma bolinha de papel. Há há há – eu simulei uma risada falsa.
-Ah, cala a boca, nerd – um dos garotos disse. O nome dele era Avan, e ele era um dos mais populares do colégio.
Joguei a bolinha no lixo e saí andando. As bolinhas de papel infinitas não era nada. As coisas que eles fazem comigo todos os dias são infinitamente piores. Eles me batem, cospem em mim, me xingam gratuitamente, derrubam minhas coisas no chão propositalmente, roubam meu dinheiro do lanche. Uma vez, eles quebraram meus óculos em mil pedacinhos e eu tive que mentir para os meus pais dizendo que eles tinham caído no chão. Eu estava cansado disso, queria que as pessoas me respeitassem, me dessem valor. Eu queria acabar com tudo aquilo. Queria ser eu mesmo sem os outros me julgarem, mas parecia impossível.
Quando bateu o sinal para irmos embora, me encontrei com a minha irmã para pegarmos juntos o ônibus.
-Como foi o dia? – ela me perguntou.
-Normal – eu respondi. – E o seu?
-Também. A não ser pela grande novidade que todo mundo tá falando.
-Que novidade? – perguntei.
-Você não ficou sabendo? A geral tá falando sobre isso – ela pareceu espantada por eu não saber.
-Victoria, eu não falo com ninguém nessa escola – respondi.
-Desculpa, Matt. Eu achei que você tivesse ouvido de alguém, pegado uma conversa no ar, sei lá – o semblante dela mudou de muito feliz para muito chateada.
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-Tá tudo bem, Vic. Mas e aí, qual é a "grande novidade"?
Ela se animou de novo.
-A escola vai fazer um baile – ela quase pulou de alegria. – Vai ser tipo uma festa pré-formatura, vai ser demais! Toda a escola vai ser convidada, deve ser um dos maiores eventos que eles já fizeram.
-Ah, sério? Bem legal – eu respondi sem entusiasmo.
-Qual é, Matt. Você vai, né? Você tem que ir. Justo você que é um dos formandos.
-Victoria, eu não vou. Com quem eu vou ficar conversando lá? Eu vou chegar, encostar numa parede e provavelmente beber um ou dois copos do que estiverem servindo. Então eu vou me sentar em qualquer lugar e esperar você decidir ir embora para irmos para casa. Será realmente uma grande festa para mim – tentei explicar isso a ela racionalmente.
Quando ela ia tentar me convencer a ir, nosso ônibus chegou.
-Continuamos essa conversa em casa – ela disse.
Coloquei meus fones de ouvido e entrei dentro do ônibus. Eu não suportava a ideia de ter que ir a um baile onde nem olhariam na minha cara, e, se olhassem, seria para tirar sarro. Por mais que eu quisesse agradar minha irmã, esse é um sacrifício que eu não podia fazer. Eu não teria nem uma acompanhante. Minha irmã provavelmente iria com algum cara da escola, ou comigo mesmo, mas eu não iria acompanhando minha própria irmã, isso seria ainda mais vergonhoso para mim.
Passei todo o trajeto do ônibus calado, em pé ao lado da minha irmã, apenas escutando música. Parei de pensar nesse baile estúpido e comecei a viajar nas letras das músicas que eu escutava. Apesar de ser um nerd, meu gosto para músicas é bastante refinado. Nas minhas playlists, contém músicas e bandas como Imagine Dragons, Coldplay e OneRepublic. Cada letra, cada nota, tinha um significado para mim.
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Ao chegarmos em casa, fui direto para meu quarto. Era um cubículo no fundo da casa que costumava servir de dispensa até o ano passado, quando meus pais decidiram que eu deveria ter um quarto só meu em vez de dividi-lo com a minha irmã. O lado bom é que agora eu tinha privacidade. O ruim é que eu mal cabia dentro do meu quarto. Lá dentro ficavam uma cômoda onde eu guardava minhas roupas; e minha cama, basicamente, tento um espaço de uns 30 centímetros mais ou menos entre as duas. A altura também era bem menor em relação aos outros quartos. Eu tenho 1m87 de altura, enquanto meu quarto possui 2m50. Era apertado, mas era meu. Meu quarto, meu espaço, meu canto. Tentava mantê-lo absurdamente limpo, para poder circular melhor. Tinha também uma janela basculante que eu enchi de adesivos de diferentes coisas. Havia adesivos de tudo: propagandas de rádio, bandas das quais nunca ouvira falar, super-heróis, jogos, etc. Geralmente eu conseguia esses adesivos quando eles vinham nas encomendas que meu pai pedia do exterior. Elas sempre vinham com um ou dois adesivos que ele me dava.
O espaço das paredesdo meu quarto foi todo ocupado com pôsteres. Havia pôsteres até no teto. Sério.Tinha um pôster gigante de uma mulher com uma espada olhando para uma luafluorescente que brilhava no escuro, assim como alguns pontos da roupa damulher. Eu nem sei de que lugar era aquele pôster, mas eu tinha colocado ele alipela mulher ser parecida com Liz. Liz era simplesmente a minha paixão desde asétima série. Ela é facilmente a garota mais linda da escola. Quando ela passanos corredores da escola, quando ela passa por mim, meu coração para. Mas elanunca sequer olhou em meu rosto. Ela nem deve saber que eu existo. Mas todanoite, quando me deito e olho para cima, para a mulher, imagino que é Liz queestá li, me olhando, e essa é a melhor sensação do universo.
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