《Twitter | cellyu》Capítulo Opcional - Parte 01
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Acordou se sentindo pesada. Continuou deitada por algum tempo, mas levantou-se ao perceber que já estava atrasada. Sonolenta, vagueava pela casa em busca de achar a porta certa, a qual levava ao banheiro. Não havia tempo para banho, escovou os dentes e o cabelo e se trocou. Saiu de casa se maldizendo - deveras necessário, visto que ficou a madrugada inteira assistindo à filmes e séries e fora dormir há cerca de duas horas.
O ônibus lotado balançava, fazendo com que ela parecesse uma morta-viva. Havia pouco tempo para chegar ao trabalho, mas a velocidade do ônibus não colaborava. Olhava o relógio a cada segundo e imaginava o que o seu chefe faria. Não gostava nada da ideia de receber uma bronca pelo atraso.
O motorista parou e a garota desceu. Teria de andar cerca de oito quadras para chegar ao trabalho e já se cansava apenas com este pensamento. Se arrastou até a rua do trabalho, mas ao chegar lá sua visão começou a embaçar. Se desesperou, mas piscou algumas vezes e logo isto passou. Ao abrir os olhos, porém, a rua estava completamente diferente. Antes, com flores nas casas e cachorros nas ruas, com prédios de trabalho e restaurantes sem fim, a rua parecia ser de contos de fadas e, a menina riu ao pensar isto, ela seria "a única coisa feia e acabada na rua". No momento a rua estava um caos. O chão se encontrava com enormes rachaduras, e as casas estavam caídas aos pedaços. Trilhas de comida podre e sangue estavam ao chão. Barulhos estranhos eram ouvidos, plantas secas dançavam ao vento. O pensamento da garota mudara: Ela achava-se a coisa mais bonita do local!
Caminhou lentamente até o prédio onde trabalha - ou assim costumava fazer - e parou em frente. Uma construção velha, despedaçada, vários andares de destruição. Não tinha como o prédio continuar em pé por muito tempo. Respirou fundo, tentando olhar a parte de dentro do edifício através dos escombros. Viu, então, uma sombra. Em seguida, um grito. E por último, um irreconhecível barulho. Havia alguém lá dentro.
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Ela não era corajosa, e muito menos forte, mas ajudaria quem quer que estivesse lá dentro. Porque, mesmo não sendo a melhor pessoa para salvar alguém, ela era determinada e gostava de ajudar.
Adentrou o prédio, sentindo calafrios por todo o seu ser. Olhou em volta. Destruição cercava o local. Papéis ao chão, canetas estouradas, mesas viradas, mais sangue. O cenário de um filme de terror visto pela garota aparecia em sua mente, sendo comparado com o local onde estava. Tremia, engasgava com a saliva, tossia e tremia. Tentou mover-se para ir embora, mas a cada passo para trás que dava parecia que ela estava no mesmo lugar. Algo em sua mente lhe dizia para explorar o prédio e tentar saber o que acontecera.
Começou a andar em direção aos fundos do prédio. Ele parecia bem mais estranho e assustador do que durante seus turnos de trabalho, ela concluiu. E bem maior também.
A cada passo que dava sentia um embrulho no estômago maior. A vontade de vomitar era grande e ela estava começando a ficar tonta. Ela queria voltar para casa, se jogar em sua cama e não voltar ali nunca mais, ela queria acordar e perceber que aquilo não passara de um sonho, mas nada acontecia. Aquela força ainda a fazia ir até o final, e ela tinha medo do que encontraria.
Olhou em volta. Teias de aranhas mais do que grandes preenchiam mesas e cantos de paredes, flores murchas em cima da mesa estavam arranjadas em um vaso com algo vermelho, que ela preferia fingir não ser sangue. Risos baixos podiam ser ouvidos ao longe, ou talvez eram choros, ela não conseguia distinguir mais. Pedaços do teto estavam caídos, possibilitando a visão do andar de cima, e a situação lá era a mesma: destruição. Trilhas de algo parecido com sangue estavam pelo chão, e a garota seguiu-a.
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Caminhou até o elevador, mas o mesmo não estava funcionando. Decidiu então subir pela escada. Talvez a trilha de sangue levasse apenas ao primeiro andar, ou talvez fosse sorte demais. De qualquer jeito, ela foi. Andou lentamente até a porta a qual dava para as escadas, abrindo a mesma e subindo. A porta atrás de si fechou num estrondo, fazendo-a dar um pulo. Subiu degrau por degrau tremendo, quase caiu em alguns. Um líquido roxo e pegajoso se espalhava pelo chão, e ela estava com medo de saber o que aquilo era.
Parou para descansar. Apesar de não serem muitos degraus, tentar não cair era uma tarefa difícil e cansativa. Um silêncio absurdo se formou. Ela ouviu uma respiração, alta e pesada, havia alguém atrás dela. Sentiu algo em seu pé e gritou o mais alto que pôde, mas mãos taparam sua boca em seguida. Lágrimas começaram a cair de seus olhos, escorrendo pelo canto do rosto até as mãos da pessoa que a dominava. Tentou se soltar, mas não conseguiu.
-Cala a boca, você vai acabar atraindo eles! - uma voz sussurrou, assustando-a mais, e soltando-a em seguida.
-Eles quem? - ela se virou, mas não viu ninguém.
Achou estar ficando louca. Olhou em volta por algum tempo até ouvir um barulho vindo da porta de baixo. Não sabia se seria a pessoa que a agarrou ou a tal coisa que seria atraída, então resolveu correr. Ignorou completamente os dois primeiros andares, abrindo a porta do terceiro e entrando. O andar parecia o de sempre para ela. Tudo organizado, sem um papel fora da pilha ou assim. Pessoas sentadas em suas cadeiras, porém, estavam paradas feitos estátuas. Algumas atendiam telefonemas, outras assinavam papéis sem sentidos e algumas até mesmo comiam algo escondido.
Caminhou lentamente por entre as mesas, passando a mão em uma delas. O que estava acontecendo? Estaria ela em um sonho? Estaria ela maluca?
Ouviu um arrastar de porta e se escondeu embaixo de uma das mesas. Passos foram ouvidos juntamente com um arfar. Sentia a pessoa - ou coisa - aproximar-se. Algo subiu na mesa em que estava e ela tapou a boca e o nariz com as mãos na tentativa de impedir a respiração. Pode ouvir o barulho de narizes desesperados tentando farejar a presa, mas em alguns segundos o peso sobre a mesa se foi e ela viu pés humanos descerem da mesa, ficando gosmentos e roxos em seguida, como o líquido da escada. Não sabia o que estava acontecendo.
A criatura se foi, deixando-a sozinha com seus pensamentos confusos e uma enorme trilha roxa por onde a criatura passara, mas ela fora sumindo aos poucos até o chão estar quase brilhante.
Após ouvir o barulho da porta, ficou algum tempo ainda debaixo da mesa para ter certeza de que não havia ninguém na sala. Pôs-se, então, a andar até o sanitário que havia naquele andar. Ao invés de entrar nele, porém, ela andou um pouco além até a porta da sala de seu chefe. A sala estava trancada, mas por ser a secretária dele, tinha a chave. E, por isso, conhecia alguns segredos.
Entrou e fechou a porta atrás de si, caminhando até a estante de livro e empurrando-a com certa dificuldade por causa do peso. Antes de terminar de empurrá-la, no entanto, ouviu vozes.
***
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