《UMA ESTÓRIA DANATUÁ (ficção - português)》MINHA VIDA PELA SUA
Advertisement
Há encontros tão sublimes que podem nos fazer abrir mão até da própria vida.
Uivo ficou estático na encosta do morro, os sentidos em alerta.
Não demorou e pressentiu algo à sua direita.
Sorrateiro se esgueirou naquela direção, tendo o cuidado de se manter oculto.
Como uma sombra passou pelas árvores.
Tempos depois parou, sondando, esperando, e uma suspeita foi emergindo em sua mente: se ele podia pressenti-lo, também podia ser pressentido. Era bem provável que estivesse sento manipulado, sendo enviado de um morro para outro, de uma montanha para outra.
Esvaziou a mente e se deixou seguir, voltar atrás no caminho, até o lugar em que julgara que o sentira, logo após ter visto Adanu e Allenda, perto da aldeia.
Devagar subiu numa árvore, de onde ficou sondando com a mente vazia.
Finalmente o encontrou.
Sabia que ele estava espreitando, procurando alguém de poder. Devagar foi se acercando, tendo o cuidado de se manter oculto.
- Um Juguena – cismou preocupado, procurando identificar o alvo do demônio.
Um frio percorreu todo seu corpo. Os juguenas eram demônios raros e extremamente perigosos. Não se tinha notícia de que alguém, algum dia, conseguira matar um deles. Somente um, há muitos e muitos anos, mas por um grande grupo de juruparináh, e mesmo assim, amargando pesadíssimas perdas.
Uivo sentiu um tranco, um suor gelado tomando seu corpo quando a viu. Allenda estava agora sozinha, caçando na floresta.
Depressa voltou a atenção para o demônio, e viu que ele apenas avaliava, imóvel e silencioso.
E então ele sumiu.
Mais que depressa Uivo se virou para onde estava Allenda.
A dor que sentiu ameaçou denunciá-lo. Allenda estava deitada e o demônio estava sobre ela, parecendo sugar sua energia.
Com grande rapidez se fechou, a mente fixa num ponto bem à frente, indiferente. Apenas um ponto no mato, sem qualquer pensamento sobre ele.
Então, com um impulso terrível, já totalmente poderado, num estampido se lançou contra aquele lugar.
O ser gritou e girou, quebrando o encanto que mantinha Allenda presa, se elevando à frente da flor-do-mato.
Uivo viu de relance a suave neblina que saia da boca e narinas de Allenda cessar, e ele viu quando a cabeça dela pendeu de encontro ao chão.
Uivo olhou fundo na criatura que se erguia, as vestes de neblina cinza crescendo perigosamente.
Uivo rosnou baixo, os pelos eriçados, as garras desembainhadas cravadas no chão.
A criatura parou, o olhar confuso em Uivo, que mantinha a mente vazia e livre.
Por um momento a criatura pareceu indecisa. Mas então ela atacou. Suas vestes se alongaram velozes como flechas, procurando o coração de Uivo, que se esquivou, agachando-se no último segundo. Num arranque poderoso Uivo se jogou para a direita, e após para a esquerda, escapando de um novo ataque. Saltou no ar, girando suave, mantendo a criatura sob sua atenção.
Quando desceu caiu em pé, à frente da criatura, suas garras cravadas nos lados da criatura, que sorria.
Advertisement
Uivo sentiu quando foi atingido. A dor parecia querer destruí-lo. E havia aquela voz amiga e gentil que lhe dizia que não havia o que temer. Esvaziou a mente, sentindo apenas as garras na carne estranha e macia como uma pluma. Forçou-as mais para dentro, a urgência o tomando. A criatura se aproximava perigosamente do seu coração, e sabia que não teria mais muito tempo. Como se fosse uma explosão liberou toda sua mente e gritou que não se entregaria ao demônio. A criatura tremeu, toda sua forma ondulando como se fosse a lâmina de um lago perturbada pelo vento. Com um movimento de revolta, sentindo seu coração pulsar dolorosamente mais forte, começou a afastar as patas, rasgando a criatura. Mas era apenas penumbra que se esgarçava no ar, como se tivesse sido revolvido, e que logo se recompunha.
Mas, ao menos, sentiu o impacto duro do chão.
Com dificuldade se levantou e se preparou para combater o demônio. Com toda a frieza que podia encarou o demônio, que apenas o observava.
Se preparava para novo confronto quando o demônio surgiu bem à sua frente, um fiapo como uma longa farpa cravada em seu peito.
Com uma lentidão estudada, como se para incutir mais medo, foi puxando-o para si, os olhos capturando os de Uivo.
As coisas ficaram meio estranhas, confusas.
Uivo apenas se lembrava do ódio descontrolado que o tomou, do terrível medo de que, assim que o demônio desse cabo dele, ele pudesse atacar Allenda. Então frustração em ódio, urgência em desespero, e o mundo se enovelou e se aquietou num terrível cinza, onde só ele parecia comandar.
E, de dentro daquela neblina espessa ele atingiu o demônio com todo esse ódio acumulado, com toda essa dor que reservava para se manter vivo.
O demônio sentiu e gritou de espanto, se afastando, deixando-o livre.
- Deixe-a ir. Eu tenho toda a dor de que precisa... – gemeu, temendo desfalecer e perder a oportunidade de deixar Allenda segura.
- Não pode me oferecer isso, quando agora tenho o seu medo pela vida dela.
E nem bem dissera isso ele voltou a atacar novamente, farpas entrando pelos lados, raspando nas costelas. A dor foi imensa, e Uivo percebeu de quanto mal aquela criatura se vestia. Nenhum órgão importante fora atingido, percebeu, mas apenas nervos e músculos, gerando uma dor insuportável. Era isso o que o demônio queria, dor e desespero.
Sabendo que era apenas dor com o que lidava, Uivo se esforçou em se erguer, os olhos presos nos da criatura.
Com um movimento rápido cortou as sombras que tanta dor lhe afligiam e passou as garras pelo pescoço da criatura, rasgando toda a neblina.
Como se fosse de longa distância julgou ouvir risos.
Então se lembrou de muitos e muitos anos atrás, ainda muito pequeno, quando sentiu um ódio daquele tamanho. Os que o perseguiam, naqueles dias, juraram aos outros que ele se tornara um demônio e os atacara, tamanho o ódio e o descontrole que o tomara.
Advertisement
Então, possuído de desespero, transformou toda a dor que sentia em ódio. Sentindo-se mais recomposto atacou com fúria, como se fosse uma tempestade enlouquecida.
Pensava se não poderia ter alguma esperança de escapar daquele demônio quando foi duramente atingido, uma farpa de sombra perfurando suas carnes e seus ossos. E essa sombra que o atingira parecia crescer dentro de seu corpo, expandindo-se dentro de seus ossos.
Seus sentidos se embaralharam, e temeu perder a consciência.
O juguena aproximou a cara de sombras e cheirou o ar em volta de Uivo. Então abriu uma bocarra vermelha e riu, a risada ecoando maldosa para além das montanhas.
- Ora, ora, o que é isso que temos aqui? – saboreou com nítido prazer, a voz parecendo-se com uma cascata de pedregulhos numa caverna. – Eu deveria impedir todo o sofrimento que vai ter? – sorriu tomado de prazer. - Não, acho que não devo. Morrer, para você, seria uma libertação, se conseguir sobreviver... – sentenciou, rodando lentamente a farpa no peito de Uivo, que gemeu fracamente.
Então, como se tudo tivesse perdido a graça, simplesmente desapareceu.
Sem o apoio da farpa do demônio Uivo despencou de joelhos no chão, o corpo doendo, sem forças, a cabeça pendendo para o chão, os ombros derrubados.
Seu corpo parecia destruído, desfeito. Forçou o tronco para cima, tentando se levantar. Caiu de joelhos novamente, as forças falhando perigosamente. Com dificuldade se arrastou em direção a Allenda, que gemia em dores. Com grande esforço se sentou, encostando as costas num tronco, puxando a cabeça de Allenda para o seu colo.
- Uivo, é você? – a ouviu gemer.
- Sim, sou eu! Descanse, descanse. Agora está tudo bem. Ele já não está mais aqui...
Mas, para seu desespero, pressentiu algum movimento à frente e sua dor aumentou, temendo que a criatura, ou uma outra, estivesse avançando contra eles. Usando suas últimas reservas afastou Allenda e se levantou, as garras sem forças para desembainhar totalmente encaminhando grossas gotas vermelhas para o chão, os braços pesados ao longo do corpo arriado.
- Minha vida pela dela – gemeu se dirigindo para os vultos ao longe que os olhos turvos não conseguiam mais focalizar. Todo seu ser estava tomado de desespero, o mal-estar atingindo-o duramente, a mente girando, o mundo começando a escurecer.
- Ele está muito mal... Eu cuido dele. Veja como ela está... – pensou ouvir de muito longe.
- Que loucura... Eu vi um juguena guinchar perto daqui. Só pode ser ele. Por Tupã, um juguena por aqui...
Uivo se deixou cair, aliviado, ao reconhecer a voz de Adanu e Tenebe que pareciam crescer na sua direção. Sem forças deixou a dor crescer livre dentro de sua alma. Já não tinha mais forças para mantê-la distante.
Sua respiração ficou difícil, sua cabeça parecia que ia explodir, e a escuridão avançou com grande velocidade.
Se esforçou em ficar desperto, procurando por qualquer sinal de Allenda. Um alívio estranho o percorreu, e tentou dizer algo, em resposta a algo que julgara ter ouvido alguém com a voz de Allenda ter dito. Mas não havia forças, não havia mais qualquer coisa, somente sua mente esfiapando e se desfazendo.
No fim da adrenalina seu corpo cedeu e a dor se foi, como lentamente se ia tudo o que era.
Havia uma paz imensa ali, reconheceu. Não havia mais dor, ou qualquer necessidade. Apenas paz, uma paz imensa.
Então um movimento em suas mãos, sensações de cabelos que roçavam pelas mãos e braços, e lábios doces em seu ouvido. Se entregar seria fácil, se deixar ir seria prazeroso, se viu pensando.
Mas então uma voz vinda de muito longe sussurrava seu nome de dentro da escuridão que avançava. Um brilho suave, como se fosse um sol de prata, foi devassando aquele mundo.
E era aquela voz que não permitia que se fosse, sempre que pensava em desistir. Vagarosamente foi tomando consciência novamente. A dor renasceu poderosa, e a voz cresceu e encheu seu mundo, e soube que não se permitiria partir.
Lentamente viu uma escuridão avançar e um calor feito de sons de fogo que crepitava suave lhe fizeram promessas de que tudo ficaria bem, e tempos depois uma luz foi se fortalecendo, reforçando o mundo que voltava a sentir.
Com rapidez tudo foi se tornando suportável e o mundo foi fazendo mais sentido.
Ele era homem agora, se reconheceu, deitado com as costas apoiadas num tronco, os braços pendentes, o peito nu tomado por inúmeras marcas escuras que, lentamente, se desfaziam.
E ali, bem à sua frente, na sombra de uma frondosa paineira rosa, Allenda velava, sob os olhos pesarosos de Tenebe, de Adanu e de dois poderosos queixadas. E havia aquele ronronar, aquele encantamento que o fortalecia e o impedia de ir embora. Ela estava ali, bem ao lado. Ela não dizia nada, nem precisava. Uma lágrima brotou de seu rosto que via em meio aos cabelos de milho. Como resposta lhe mandou um fraco sorriso, vindo do coração que quase fora destruído.
- Pelo Trovão – suspirou Adanu. – Um juguena, aqui. Como ele os deixou vivos? Eles não são conhecidos por serem piedosos.
- Não sei, pai – Allenda gemeu, aconchegando mais fortemente Uivo a si. – Ele sussurrou algo para o Uivo, e se foi. Acho que algo tocou o coração dele...
- Você chegou a ouvir o que ele disse? – Tenebe perguntou, os olhos preocupados postos sobre Uivo.
- Não, nada. Mas, quem sabe esse tenha algum coração? – Allenda gemeu.
- Quem sabe, quem sabe – cismou Adanu observando com preocupação a trilha de mato enegrecido por onde o demônio se fora. – Só que eles não têm coração, Allenda.
Advertisement
- In Serial34 Chapters
Rise of the Firstborn
[A participant in the Royal Road Writathon Challenge]As the inhibitor rises and the eternal flame is quenched, our lands shall be freed, and only then will the Princess be set to flee. It began with ice. A relentless, bone-chilling tickle of frost that stretched across the lands of Axulran, crawling over the mountain crests and freezing the grassy meadows. Frozen in time, the kingdom fought for political control all across the region of Ellixus, paying no mind to the death and torment they may cause along the way. Cateline Bennett, a princess consumed with ice, found herself lost in a foreign kingdom with nothing but her wits to survive. As she explores this unknown land, she unravels her past and discovers that the magic she had concealed for so long could unleash chaos so intense, it could destroy the world as she knew it. With her untapped magic and new friends, Cateline must vanquish the enemies that threatened the world of Denzethea as they knew it, else they, and all they knew, would crumble to ruin. NOTE: A review on this fiction has indicated that certain themes were traumatizing. While I believe this to be exagerated, I have added the appropriate tag for those who may be sensitive to those themes (fever dreams, delusions, and trials and tribulations).
8 167 - In Serial15 Chapters
Reincarnated into a weak god
It seems like I have reincarnated into the world of Marcas. I am a new god of war, as of now. I will be updating this novel three times to 5 times a week. I hope you Guys enjoy it I write this story in Spanish first than translate it so that one of the reason there is many grammar issue here I cannot fix them as I am still learning English. This is just so everyone know what to expect and not complain about grammar issue. Okay, guys, I have decided to add polls every two chapter. This pool will affect how the story progress. at first the poll will be simple but later on will become more complex. if there something not added in the poll and you which to see later in the story comment on the comment session. your opinion is really important to me. this being says I hope you guys enjoy the story. let's grow it together. every opinion matter so let make this happen happy reading, Mafioso Loco
8 536 - In Serial15 Chapters
The Lord of Portsmith
Our world is gone. The new world is as bizarre as it is dangerous. Alan lives the solitary life of a wasteland scavenger, but when he encounters a strange young girl from a faraway land who shares his psychic gifts, he is forced from a life of meagre survival into one of violence and endless peril. Dangerous, powerful, mad, people want the pair captured for purposes unknown, presumed nefarious. Machine gun wielding maniacs and mutant sorcerers are only some of the threats at their heels, but what lies ahead? Is there any such thing as safety amongst the wastes, or can such a thing only be earned by sweat and blood?
8 140 - In Serial63 Chapters
Just a cliché
𝐇𝐞 𝐰𝐚𝐬 𝐡𝐞𝐫 𝐬𝐭𝐨𝐫𝐦 𝐢𝐧 𝐚 𝐰𝐨𝐫𝐥𝐝 𝐭𝐡𝐚𝐭 𝐧𝐞𝐯𝐞𝐫 𝐫𝐚𝐢𝐧𝐞𝐝. 𝐒𝐡𝐞 𝐰𝐚𝐬 𝐡𝐢𝐬 𝐜𝐥𝐞𝐚𝐫 𝐬𝐤𝐲 𝐢𝐧 𝐚 𝐰𝐨𝐫𝐥𝐝 𝐰𝐫𝐞𝐜𝐤𝐞𝐝 𝐛𝐲 𝐚 𝐡𝐮𝐫𝐫𝐢𝐜𝐚𝐧𝐞. ⋆✧⋆✧⋆Delaney Lawrence is a girl with the world's biggest heart and no one to give it to. She is a quiet girl on campus who spends her time studying and working. On the outside she seems next to perfect, but looks can be deceiving Sterling Blake is the university's hockey captain with a reputation of sleeping around. He's popular and never in a good mood, with not a grade over a C. However, his reputation may not be as accurate as people assume. When Sterling Blake is late to pick his little sister up from gymnastics practice he doesn't leave a great impression on the coach, Delaney Lawrence. Much to her dismay, she is selected to be his tutor so he can remain on the hockey team. She is determined to get his grades up and be done with this mess, he is determined to make that impossible. Unfortunate as the pairing seems, maybe things do happen for a reason.⋆✧⋆✧⋆Highest Rankings: #1 Love#1 Humour#1 Hockey #1 Team#2 Sports #2 Sports Romance #2 Slowburn
8 707 - In Serial137 Chapters
Supergirl x reader
Characters from Supergirl x readerEnjoy!!
8 111 - In Serial22 Chapters
menace
i am jealous of anyone who has ever touched you
8 208

